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terça-feira, 11 de março de 2014

Quaresma...Conversão!!!

Depois de termos, piedosamente, recebido as cinzas que nos foram impostas em nossas cabeças, com a abertura da quaresma, na Quarta-Feira de Cinzas, ecoa em nosso coração o convite da Igreja: "Convertei-vos e Crede no Evangelho".



E, para crer no Evangelho, nós devemos lembrar que "somos pó e ao pó retornaremos", por isso mesmo a conversão é um processo contínuo. A conversão não pode ser forçada, porque Deus nos concede o livre arbítrio.

Neste primeiro domingo da quaresma, que é um grande retiro popular, para cada um de nós, a Igreja nos chama a atenção acerca das "tentações". Somos tentados a cada momento, pelos prazeres desordenados, pela vaidade, pela necessidade de opressão e de poder despótico de mando. Somos tentados pelo ter, pelo ser e pelo poder.

O Beato João Paulo II disse que "antes de iniciar a sua atividade pública, Jesus, impelido pelo Espírito Santo, retira-Se no deserto durante quarenta dias. Ali, como lemos hoje no Evangelho, Ele é posto à prova pelo demônio, que Lhe apresenta três tentações comuns na vida de todo o homem: a voluptuosidade dos bens materiais, a sedução do poder humano e a presunção de submeter Deus aos próprios interesses". 

O livro primeiro das Escrituras Sagradas nos apresenta a tentação de Adão e Eva: (Gen 2,7-9.3,1-7) Deus criou o homem para a felicidade e para a vida plena. No entanto o homem preferiu construir o "paraíso" a seu modo. Rompendo com o projeto de Deus, "sentiu-se nu", despojado dos dons de Deus, incapaz de ser feliz. O Homem vem "da terra", no entanto recebe também o "sopro de Deus". Deus criou o homem para ser feliz, em comunhão com Deus e indica-lhe o caminho da imortalidade e da vida plena. A escolha errada do homem, desde o início da história, destrói a harmonia no mundo e é a Origem do Mal.

São Paulo nos apresenta Adão e Jesus. (Rm 5,12-19) Adão representa o homem que escolhe ignorar as propostas de Deus e decidir, por si só, os caminhos da salvação e da vida plena; Jesus é o homem que escolhe viver na obediência às propostas de Deus.

No Evangelho Jesus é tentado três vezes: a tentação da abundância, do prestígio e do poder. Jesus é tentado a transformar pedra em pão e responde que "nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus". Jesus, em segundo lugar, registra o prestígio, o poder, as facilidades, os holofotes, a necessidade de aparecer, e diz: "Não tentarás o Senhor teu Deus". Por fim, Jesus é tentado ao poder. Como esta tentação continua atual, principalmente naqueles homens da hierarquia eclesiástica que fazem ouvidos moucos aos exemplos e vivência do Papa Francisco. O Papa, tal como Jesus, nos dá o recado claro e cortante: "Adorarás somente ao Senhor, Teu Deus!".


Nosso Senhor Jesus Cristo recusou a tentação do pão, da glória e do poder e nos ensinou que só uma coisa é verdadeiramente decisiva e fundamental: a fidelidade a Ele e à sua Palavra de Salvação.

O tempo da quaresma é um tempo de vencer as tentações que Jesus viveu e que são as mesmas tentações que todos vivemos. O Papa Emérito Bento XVI ensinou: "O primeiro domingo do itinerário quaresmal evidencia a nossa condição de homens nesta terra. O combate vitorioso contra as tentações, que dá início à missão de Jesus, é um convite a tomar consciência da própria fragilidade para acolher a Graça que liberta do pecado e infunde nova força em Cristo, caminho, verdade e vida". 

Para vencer as tentações devemos contar com a graça de Deus, reforçando o triple deste tempo: jejum, oração e penitência. A paciência e a humildade de seguir o Senhor todos os dias, aprendendo a construir a nossa vida sem O excluir, ou como se Ele não existisse, mas nele e com Ele, porque é a fonte da vida verdadeira. A tentação de eliminar Deus, de pôr ordem sozinho em si mesmo e no mundo, contando unicamente com as próprias capacidades, está sempre presente na história do homem.



quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Quaresma...

              Estamos no período da quaresma e este é o momento do fortalecimento da fé e de uma preparação para que possamos vivenciar a semana da Paixão e Morte do Senhor.




              A juventude e os seus desafios ao longo do século 21 será o tema debatido durante a Campanha da Fraternidade 2013
              Todos os anos a Igreja Católica, por meio da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB), escolhe um tema para refletir durante o período da quaresma, que para a igreja é o momento de os fiéis se prepararem para a páscoa do seu messias, Jesus Cristo.
              Em virtude da Jornada Mundial da Juventude – que acontecerá entre os dias 23 a 28 de julho, na cidade do Rio de Janeiro – a CNBB quer alertar e conclamar a juventude.

              Nós, Cristãos e MEFeanos devemos avaliar esse tema tão pertinente às famílias e refletir com nossos filhos esses desafios!!



  Ai vai a letra de um dos cantos da Campanha da Fraternidade, uma linda poesia...




O MESMO ROSTO

Dizem que o sol deixou de brilhar,
Que as flores mais lindas não perfumam mais.
Que os jovens teriam deixado de amar,
De crer na esperança de poder mudar.
Que as lutas e os sonhos, o vento espalhou

E que envelheceram as forças do amor.
Se fosse assim, que digam vocês:
De quem é o rosto que ainda sorri?
De quem é o grito que nos faz tremer,
Defendendo a vida, e o modo de ser?

De quem são os passos marcados no chão
E um lindo compasso de um só coração?

Enquanto existir um raio de luz
E uma esperança que a todos conduz,
Persiste a certeza, plantada no chão.

Ternura e beleza não acabarão,
Pois a juventude que sabe guardar
Do amor e da vida não vai descuidar.

O rosto de Deus é jovem também
E o sonho mais lindo é ele quem tem.

Deus não envelhece, tampouco morreu,
Continua vivo no povo que é seu.
Se a juventude viesse a faltar.
O rosto de Deus iria mudar.

sábado, 7 de abril de 2012

Quadragésima Sexta Estação...

Jesus é sepultado
Via Sacra (14.ª Estação)
7 Abril (Sábado de Aleluia)
Leitura proposta (Mateus 27, 59-61)
     É preciso lembrar as palavras de S. Paulo que “por nosso meio Deus faz sentir em todos os lugares o odor do seu conhecimento. Somos, para Deus, o bom odor de Cristo”.
     Na putrefação das ideologias, a nossa fé deveria ser de novo o perfume que reconduz às pegadas da vida. Nomomento da deposição, começa a realizar-se a palavra de Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: Se o grãode trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto” ( Jo-12, 24). Jesus é o grão de trigo que morre. Do grão de trigo morto começa a grande multiplicação do pão que dura até ao fim do mundo: Ele é o pão de vida capaz de saciar em medida super abundante a humanidade inteira e dar-lhe o alimento vital: o Verbo eterno de Deus, que Se fez carne e também pão, para nós, através da cruz e da ressurreição. Sobre a sepultura de Jesus resplandece o mistério da Eucaristia. Senhor Jesus Cristo, na sepultura fizestes vossa a morte do grão de trigo, tornastes-Vos o grão de trigo mortoque produz fruto ao longo de todos os tempos até à eternidade.Do sepulcro brilha em cada tempo a promessa do grão de trigo, do qual provém o verdadeiro maná. A Palavra eterna, através da encarnação e da morte, tornou-Se a Palavra próxima: Colocais-Vos nas nossas mãos e nos nossos corações para que a vossa Palavra cresça em nós e produza fruto. Dais-Vos a Vós próprio, para que nós tenhamos a coragem de perder a nossa vida para encontrá-la; para que também nós nos fiemos da promessa do grão de trigo. Ajudai-nos a amar cada vez mais o vosso mistério eucarístico e a venerá-loa viver verdadeiramente de Vós, Pão do Céu. Ajudai-nos a tornarmo-nos o vosso «odor», a tornar palpáveis os vestígios da vossa vida neste mundo. Não, Vós não experimentastes a corrupção. Ressuscitastes e destes espaço à carne transformada no coração de Deus. Fazei com que possamos alegrar-nos com esta esperança e possamos levá-la jubilosamente pelo mundo; fazei que nos tornemos testemunhas da vossa ressurreição.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Quadragésima Quinta Estação...

Jesus é descido da Cruz e entregue a sua Mãe
 
Via Sacra (13.ª Estação)
6 Abril (6ª feira Santa)
Leitura proposta (Mateus 27, 54-55)
 
     Jesus morreu, o seu coração é trespassado pela lança do soldado romano. Agora que tudo suportou, vemos que Ele, apesar de toda a confusão dos corações, apesar do poder do ódio e da covardia, não ficou sozinho. Os fiéis existem. Junto da cruz, estavam Maria, sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, Maria de Magdala e o discípulo que Ele amava. Agora chega também um homem rico, José de Arimateia. Sepulta Jesus no seu túmulo ainda intacto, num jardim: o cemitério onde fica sepultado Jesus transforma-se em jardim.(...) Sobre a hora do grande luto, da grande escuridão e do desespero, aparece misteriosamente a luz da esperança. O Deus escondido permanece em todo o caso o Deus vivo e próximo. A Igreja de Jesus Cristo, a sua nova família, começa a formar-se. Senhor, descestes à escuridão da morte. Mas o vosso corpo é recolhido por mãos bondosas e envolvido num lençol. A fé não está completamente morta, não se pôs totalmente o sol. Quantas vezes parece que Vós estais a dormir. Como é fácil a nós, homens, afastar-nos dizendo para nós mesmos: Deus morreu. Fazei com que, na hora da escuridão, reconheçamos que em todo o caso Vós estais lá. Não nos deixeis sozinhos quando tendemos a desanimar. Ajudai-nos a não deixar-Vos sozinho. Dai-nos uma fidelidade que resista no desânimo e um amor que Vos acolha no momento mais extremo da vossa necessidade, como Maria, que Vos abraçou de novo no seu regaço. Ajudai-nos, ajudai os pobres e os ricos, os simples e os sábios, a ver através dos seus medos e preconceitos e a oferecer-Vos a nossa capacidade, o nosso coração, o nosso tempo, preparando assim o jardim no qual acontecerá a ressurreição.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Quadragésima Quarta Estação...

Jesus Morre na Cruz 

 Via Sacra (12.ª Estação)
5 Abril (5ª Feira Santa)
Leitura proposta (Mateus 27, 45-50.54)
   No cimo da cruz de Jesus está escrito quem é: o Rei dos Judeus. Agora cumpriu radicalmente o mandamento do amor, cumpriu a oferta de Si próprio, e precisamente deste modo Ele é agora a manifestaçãodo verdadeiro Deus, daquele Deus que é amor. Agora sabemos quem é Deus. Agora sabemos como é a verdadeira realeza. Jesus reza o Salmo 22, que começa por estas palavras: “Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?” (Sal 22/21, 2). Assume em Si mesmo a humanidade inteira, que sofre o drama da escuridão de Deus, e faz com que Deus Se manifeste precisamente onde parece estar definitivamente derrotado e ausente. Da cruz, Ele triunfa sem cessar.Senhor Jesus Cristo, na hora da vossa morte, o sol escureceu. Precisamente nesta hora da história, vivemos na escuridão de Deus. Pelo sofrimento sem medida e pela maldade dos homens o rosto de Deus, o vosso rosto, aparece obscurecido, irreconhecível. Mas foi precisamente na cruz que Vos fizeste reconhecer. Ajudai-nos a reconhecer, nesta hora de escuridão e confusão, o vosso rosto. Ajudai-nos a crer em Vós e a seguir-Vos precisamente na hora da escuridão e da privação. Fazei com que a vossa salvação se manifeste.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Quadrasésima Terceira Estação...

Jesus é pregado na Cruz
Via Sacra (11.ª Estação)
4 Abril (4ª feira)
Leitura proposta (Mateus 27, 37-42)
      Jesus é pregado na cruz. O sudário permite formar uma ideia da crueldade incrível deste processo. Jesus não toma a bebida anestesiante que Lhe fora oferecida: conscientemente assume todo o sofrimento da crucifixão. Todo o seu corpo é martirizado. Detenhamo-nos diante desta imagem de sofrimento, diante do Filho de Deus sofredor. Olhemos para Ele nos momentos de presunção, para aprendermos a respeitar os limites e a ver a superficialidade de todos os bens puramente materiais. Olhemos para Ele nos momentos de calamidade e de angústia, para reconhecermos que precisamente assim estamos perto de Deus. Procuremos reconhecer o seu rosto naqueles que tendemos a desprezar.  
  Senhor Jesus Cristo, fizestes-Vos pregar na cruz, aceitando a crueldade terrível deste tormento, a destruição do vosso corpo e da vossa dignidade. Fizestes-Vos pregar, sofrestes sem evasões nem descontos. Ajudai-nos a não fugir perante o que somos chamados a realizar. Ajudai-nos a fazermo-nos ligar estreitamente a Vós. Ajudai-nosa desmascarar a falsa liberdade que nos quer afastar de Vós. Ajudai-
nos a aceitar a vossa liberdade “ligada”e a encontrar nesta estreita ligação convosco a verdadeira liberdade.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Quadragésima Segunda Estação...

Jesus é despojado das suas vestes
 
Via Sacra (10.ª Estação)
3 Abril (3ª feira) 
Leitura proposta (Mateus 27, 33-36)
 
     Jesus é despojado das suas vestes. A roupa confere ao homem a sua posição social; dá-lhe o seu lugar na sociedade, fá-lo sentir alguém. Ser despojado em público significa que Jesus já não é ninguém, nada mais é queum marginalizado, desprezado por todos. Senhor Jesus, fostes despojado das vossas vestes, exposto à desonra, expulso da sociedade. Assumistes sobre Vós a desonra de Adão, sanando-a. Assumistes os sofrimentos e as necessidades dos pobres, daqueles que são expulsos do mundo. Deste modo é que realizais a palavra dos profetas. É precisamente assim que dais significado àquilo que não tem significado. Assim mesmo nos dais a conhecer que nas mãos do vosso Pai estaisVós, nós e o mundo. Concedei-nos um respeito profundo pelo homem em todas as fases da sua existência e em todas as situações onde o encontrarmos.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Quadragésima Primeira Estação...

Jesus cai pela terceira vez 
Via sacra (9.ª Estação)

2 Abril (2ª feira) 
Leitura proposta (Livro das Lamentações 3, 27-32)
         E que dizer da terceira queda de Jesus sob o peso da cruz? Pode talvez fazer-nos pensar na queda do homem em geral, no afastamento de muitos de Cristo, caminhando à deriva, sem Deus. Mas não deveríamos pensar também em tudo quanto Cristo tem sofrido na sua própria Igreja? Quantas vezes se abusa do Santíssimo Sacramento da sua presença, frequentemente como está vazio e ruim o coração onde Ele entra! Tantas vezes celebramos apenas nós próprios, sem nos darmos conta sequer d’Ele!
        Quantas vezes se contorce e abusa da sua Palavra! Quão pouca fé existe em tantas teorias, quantas palavras vazias! Quanta soberba, quanta auto-suficiência! Respeitamos tão pouco o sacramento da reconciliação, onde Ele está à nossa espera para nos levantar das nossas quedas! Tudo isto está presente na sua paixão. A traição dos discípulos, a recepção indigna do seu Corpo e do seu Sangue é certamente o maior sofrimento do Redentor, o que Lhe trespassa o coração.Nada mais podemos fazer que dirigir-Lhe, do mais fundo da alma, este grito Senhor, salvai-nos. Salvai e santificai a vossa Igreja. Salvai e santificai a todos nós.

domingo, 1 de abril de 2012

Quadragésima Estação...

Jesus encontra as mulheres de Jerusalém
Via Sacra (8.ª Estação)
 
1 Abril (Domingo)
Leitura proposta (Lucas 23, 28-31)
 
    Apesar de todas as nossas palavras de horror à vista do mal e dos sofrimentos dos inocentes, não somos nós por ventura inclinados a banalizar o mistério do mal? Da imagem de Deus e de Jesus, no fim de contas, admitimos apenas o aspecto terno e amável, enquanto tranquilamente cancelamos o aspecto do juízo?  Mas, fixando os sofrimentos do Filho, vemos toda a seriedade do pecado, vemos como tem de ser expiado até ao fim para poder ser superado. Não se pode continuar a banalizar o mal, quando vemos a imagem do Senhor que sofre. Também a nós, diz Ele: Não choreis por Mim, chorai por vós próprios...Senhor, às mulheres que choravam, falastes de penitência, do dia do Juízo, quando nos encontrarmos diante da vossa face, a face do Juiz do mundo. Chamais-nos a sair da banalização do mal que nos deixa tranquilos para podermos continuar a nossa vida de sempre. Mostrai-nos a seriedade da nossa responsabilidade, o perigo de sermos encontrados, no Juízo, culpados e estéreis. Fazei com que não nos limitemos a caminhar ao vosso lado, oferecendo apenas palavras de compaixão. Convertei-nos e dai-nos uma vida nova; não permitais que acabemos por ficar como uma madeira seca, mas fazei que nos tornemos ramos vivos em Vós, a videira verdadeira, e produzamos fruto para a vida eterna.

sábado, 31 de março de 2012

Trigésima Nona Estação...

Jesus cai pela segunda vez
 Via Sacra (7.ª Estação)

31 Março (Sábado) 
Leitura proposta (Livro das Lamentações 3, 1-2.9.16)
         A tradição da tríplice queda de Jesus sob o peso da cruz recorda a queda de Adãoo ser humano caído que somos nós e o mistério da associação de Jesus à nossa queda. Na história, a queda do homem assume sempre novas formas. Olhando a história mais recente, podemos também pensar como a cristandade, cansada da fé, abandonou o Senhor: as grandes ideologias, com a banalização do homem que já não crê em nada e se deixa simplesmente ir à deriva, construíram um novo paganismo, um paganismo pior que o antigo, o qual, desejoso de marginalizar definitivamente Deus, acabou por perder o homem. Eis o homem que jaz no pó. O Senhor carrega este peso e cai... cai, para poder chegar até nós; Ele olha-nos para que em nós volte a palpitar o coração; cai para nos levantar. Senhor Jesus Cristo, carregastes o nosso peso e continuais a carregar-nos. É o nosso peso que Vos faz cair. Mas sois Vós a levantar-nos, porque, sozinhos, não conseguimos levantar-nos do pó. Em vez do coração de pedra, dai-nos novamente um coração de carne, um coração capaz de ver. Destruí opoder das ideologias, para os homens poderem reconhecer que estão permeadas de mentiras. Não permitais que o muro do materialismo se torne intransponível. Fazei que Vos ouçamos de novo. Tornai-nos sóbrios evigilantes para podermos resistir às forças do mal, e ajudai-nos a reconhecer as necessidades interiores e exteriores dos outros, e a socorrê-las. Erguei-nos, para podermos levantar os outros. Concedei-nos esperança no meio de toda esta escuridão, para podermos ser portadores de esperança no mundo.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Trigésima Oitava Estação...

Verônica limpa o rosto de Jesus
 
Via Sacra (6.ª Estação)
30 Março (6ª feira)
Leitura proposta (Salmos 27/26, 8-9)

          É, Senhor, o vosso rosto que eu persigo. Não escondais de mim o vosso rosto. Verônica encarna este anseio que provam todos os homens crentes de verem o rosto de Deus. Em todo o caso, na Via-Sacra de Jesus, Verônica não se deixa contagiar pela brutalidade dos soldados, nem imobilizar pelo medo dos discípulos. É a imagem da mulher bondosa que, perante a escuridão dos corações, mantém a coragem da bondade, não permite ao seu coração de entenebrecer-se. Ao princípio, Verônica via apenas um rosto maltratado e marcado pela dor. Mas, o ato de amor imprime no seu coração a verdadeira imagem de Jesus: no Rosto humano, coberto de sangue e de feridas, ela vê o Rosto de Deus e da sua bondade que nos acompanha mesmo na dor mais profunda.Somente com o coração podemos ver Jesus. Apenas o amor nos torna capazes de ver e nos torna puros. Só o amor nos faz reconhecer Deus, que é o próprio amor. Senhor, dai-nos a inquietação do coração que procura o vosso rosto. Protegei-nos do obscurecimento do coração que vê apenas a superfície das coisas. Concedei-nos aquela generosidade e pureza de coração que nos tornam capazes de ver a vossa presença no mundo. Quando não formos capazes de realizar grandes coisas, dai-nos a coragem de uma bondade humilde. Imprimi o vosso rosto nos nossos corações, para Vos podermos encontrar e mostrar ao mundo a vossa imagem.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Trigésima Sétima Estação...

Jesus é   ajudado  a  levar  a  cruz  pelo  Cireneu
 
  Via Sacra (5.ª Estação)
29 Março (5ª feira)
Leitura proposta (Mateus 27, 32; 16, 24)
 
     Simão de Cirene regressa do trabalho, vai a caminho de casa quando se cruza com aquele triste cortejo de condenadospara ele talvez fosse um espectáculo habitual. Os soldados valem-se do seu direito e colocam a cruz às costas dele, robusto homem do campo. Que aborrecimento não deverá ter sentido ao ver-se inesperadamente envolvido no destino daqueles condenados! Faz o que deve fazer, mas certamente com grande relutância. Do encontro involuntário, brotou a fé. Acompanhando Jesus e compartilhando o peso da cruz, o Cireneu compreendeu que era uma graça poder caminhar juntamente com este Crucificado e assisti-Lo. O mistério de Jesus que sofre calado tocou-lhe o coração. Jesus quer que compartilhemos a sua cruz para completar o que ainda falta aos seus sofrimentos. Sempre que, bondosamente, vamos ao encontro de alguém que sofre, alguém que é perseguido, partilhando o seu sofrimento ajudamos a levar a própria cruz de Jesus. E assim obtemos salvação, e nós mesmos podemos contribuir para a salvação do mundo. Senhor, abristes a Simão de Cirene os olhos e o coração, dando-lhe, na partilha da cruz, a graça da fé. Ajudai-nos a assistir o nosso próximo que sofre, ainda que este chamamento resultasse em contradição com os nossos projectos e as nossas simpatias. Concedei-nos reconhecer que é uma graça poder partilhar a cruz dos outros e experimentar que dessa forma estamos a caminhar convosco. Fazei-nos reconhecer com alegria que é precisamente pela partilha do vosso sofrimento e dos sofrimentos deste mundo que nos tornamos parte da salvação, podendo assim ajudar a construir o vosso corpo, a Igreja.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Trigésima Sexta Estação...

Jesus encontra sua Mãe
 
Via Sacra (4.ª Estação)
28 Março (4ª feira)
Leitura proposta (Lucas 2, 34-35.51)
 
       Na Via-Sacra de Jesus, aparece também Maria, sua Mãe. Durante a sua vida pública, teve de ficar de lado para dar lugar ao nascimento da nova família de Jesus, a família dos seus discípulos. No coração, tinha sempre conservado as palavras que o anjo Lhe dissera quando tudo começou: «Não tenhas receio, Maria». Os discípulos fugiram; Ela não foge. Ela está ali, com a coragem de mãe, com a fidelidade de mãe, com a bondade de mãe, e com a sua fé, que resiste na escuridão: «Feliz daquela que acreditou». «Mas, quando o Filho do Homem voltar, encontrará fé sobre a terra?». Sim, agora Ele sabe-o: encontrará fé. E esta é, naquela hora, a sua grande consolação. Santa Maria, Mãe do Senhor, permaneceste fiel quando os discípulos fugiram. Tal como acreditastes quando o anjo Vos anunciou o que era incrívelque haverias de ser Mãe do Altíssimoassim também acreditastes na hora da sua maior humilhação. E foi assim que, na hora da cruz, na hora da noite mais escura do mundo, Vos tornastes Mãe dos crentes, Mãe da Igreja. Nós Vos pedimos: ensinai-nos a acreditar e ajudai-nos para que a fé se torne coragem de servir e gesto de um amor que socorre e sabe partilhar o sofrimento.

terça-feira, 27 de março de 2012

Trigésima Quinta Estação...

Jesus cai pela primeira vez
Via Sacra (3.ª Estação)
27 março (terça-feira)
Leitura proposta (Isaías 53, 4-6)
       A humilhação de Jesus é a superação da nossa soberba: com a sua humilhação, Ele faz-nos levantar. Deixemos que nos levante. Despojemos-nos da nossa auto-suficiência, da nossa errada cisma de autonomia e aprendamos o contrário d’Ele, d’Aquele que Se humilhou, ou seja, aprendamos a encontrar a nossa verdadeira grandeza, e voltando-nos para Deus e para os irmãos espezinhados.
       Senhor Jesus, o peso da cruz fez-Vos cair por terra. O peso da nossa soberba deita-Vos ao chão. Mas, a vossa queda não é sinal de um destino adverso, nem é a pura e simples fraqueza de quem é espezinhado. Quisestes vir até junto de nós que,  pelo nosso erro, jazemos por terra.      
 Senhor, vinde em nossa ajuda, porque caímos. Ajudai-nos a abandonar a nossa soberba devastadora e, aprendendo da vossa humildade, a pormo-nos novamente de pé.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Trigésima Quarta Estação...

Jesus é carregado com a cruz
 
 Via Sacra (2.ª Estação)
26 Março (2ª feira)
Leitura proposta (Mateus 27, 27-31)
   Jesus, condenado como pretenso rei, é escarnecido, mas precisamente na troça aparece cruelmente a verdade. Quantas vezes as insígnias do poder trazidas pelos poderosos deste mundo são um insulto à verdade, à justiça e à dignidade do homem! Por isso mesmo, Jesus, Aquele que é escarnecido e que traz a coroa do sofrimento, é o verdadeiro rei. O preço da justiça é sofrimento neste mundo: Ele, o verdadeiro rei, não reina por meio da violência, mas através do amor com que sofre por nós e conosco. Ele carrega a cruz, a nossa cruz, o peso de sermos homens, o peso do mundo. É assim que Ele nos precede e mostra como encontrar o caminho para a vida verdadeira. Senhor, deixastes que Vos escarnecessem e ultrajassem. Ajudai-nos a não fazer coro com aqueles que escarnecem quem sofre e quem é frágil. Ajudai-nos a reconhecer o vosso rosto em quem é humilhado e marginalizado. Ajudai-nos a não desanimar perante as zombarias do mundo quando a obediência à vossa vontade é metida a ridículo. Carregastes a cruz e convidastes-nos a seguir-Vos por este caminho. Ajudai-nos a aceitar a cruz, a não fugir dela, a não lamentarmo-nos nem deixar que os nossos corações se abatam com as provas da vida. Ajudai-nos a percorrer o caminho do amor e, obedecendo às suas exigências, a alcançar a verdadeira alegria.

domingo, 25 de março de 2012

TrigésimaTerceira Estação...

Jesus é Condenado à Morte


 Via Sacra (1.ª Estação)
25 março (Domingo)
Leitura proposta (Mateus 27, 22-23.26)
        Os homens que gritam e pedem a morte de Jesus não são monstros de malvadez. Mas naquele momento sofrem a influência da multidão. Gritam porque os outros gritam e como gritam os outros. E, assim, a justiça é espezinhada pela covardia. A voz sutil da consciência fica sufocada pelos gritos da multidão.  A indecisão, o respeito humano dão força ao mal. Senhor, fostes condenado à morte porque o medo do olhar alheio sufocou a voz da consciência. E, assim, acontece que, sempre ao longo de toda a história, inocentes sejam maltratados, condenados e mortos. Quantas vezes também nós preferimos o sucesso à verdade, a nossa reputação à justiça. Dai força, na nossa vida, à voz sutil da consciência, à vossa voz. Olhai-me como olhastes para Pedro depois de Vos ter negado. Fazei com que o vosso olhar penetre nas nossas almas e indique a direção à nossa vida. Àqueles que na Sexta-feira Santa gritaram contra Vós, no dia de Pentecostes destes a contrição do coração e a conversão. E assim destes esperança a todos nós. Não cesseis de dar também a nós a graça da conversão.

sábado, 24 de março de 2012

Trigésima Segunda Estação...

Oração de Jesus no Getsémani
24 março (Sábado)
Leitura proposta (Mateus 26, 36-46) 
    Este Jesus, verdadeiramente Deus e verdadeiramente Homem, angustia-se de forma brutal (“minha alma está numa tristeza de morte”) antes do suplício que o espera e pede ao Pai para, se for possível, afastar de Si aquele “Cálice”. O sofrimento e a fragilidade do Filho de Deus não o impedem, pela presença e comunhão com o Seu Pai, de aceitar o sofrimento do seu destino de salvação da humanidade.
        Que isso seja para nós, sinal da verdade da entrega. Fomos e somos criados, salvos e amados não por um “super-homem” imune à dor, ao sofrimento e à dúvida mas por um Homem verdadeiro que deu tudo o que tinha e era por nós. Lembremos também as nossas dores (tantas vezes incompreensíveis e difíceis de aceitar) para que, enquadradas no sofrimento de Cristo, possam ter algum sentido na nossa vida.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Trigésima Primeira Estação...

Instituição da Eucaristia
23 março ( 6ª feira)
Leitura proposta (Marcos 14, 22-26)
      Este momento central da nossa comunhão com Ele, instituído pelo próprio Jesus, constitui um mistério e um milagre renovado da dádiva do Deus, que se torna alimento para cada um de nós. Deus que, no pão e no vinho (símbolos, por excelência, do nosso trabalho e da terra que temos para cuidar), nos deixa participantes do seu próprio corpo. Tomemos cada participação na eucaristia com a consciência e a alegria de quem é beneficiário desse presente de vida eterna, de um convite para receber Deus como alimento.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Trigésima Estação...


Unção de Betânia
22 Março (5ª feira)
Leitura proposta (Mateus 26, 6-13)
 
         Como tratamos Jesus e o que vem dele? Honramo-Lo com o nosso “perfume” de alto preço? ou tratamo-Lo deforma mais “racional”, deixando-lhe um lugar algo secundário na nossa vida? A mulher de Betânia não teve “meias medidas” no seu Amor por Jesus, não pensou duas vezes e honrou-O com o que de mais precioso havia (sem ponderar as reações dos outros). Porque não tentar, nesta quaresma, “racionalizar” menos o nosso Amor por Cristo e viver mais, de “peito aberto”, a nossa oração e a nossa prática religiosa, expandindo o lugar de Jesus nas nossas vidas?

quarta-feira, 21 de março de 2012

Vigésima Nona Estação...

A purificação do templo 
21 Março (4ª feira)
Leitura proposta (João 2, 13-24)
 
      Quem é este Jesus que expulsa, à chicotada, os “vendilhões do templo”, aqueles que disformam o “sagrado”, que ofendem a essencialidade das tradições, que transformam “a casa de Deus numa feira”? E nós, quantas vezes condescendemos com a ofensa, com a injúria, com o ataque vil e gratuito, com o “comércio” do sagrado?
      Quantas vezes nos escondemos, por medo ou por vergonha, não afirmando com clareza aquilo em que acreditamos, não defendendo os nossos irmãos e aqueles que mais precisam? Pensemos também, nestes dias de deserto, nas situações em Deus nos pede mais coragem e mais assertividade.